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Blogue Transmundial

Das heresias no “louvor”
Robinson Cavalcanti (Bispo Anglicano, doutor em Ciências Políticas e ex-professor universitário)

Vamos fazer um exercício de honestidade intelectual e espiritual? Seleccione 100 das mais populares músicas, “gospel” ou “não-gospel”, cantadas nas igrejas das mais diversas denominações protestantes. As mais populares pérolas da nossa Corinhologia.

Fez a Lista? Muito bem! Agora observe quantas delas um muçulmano não teria problema em cantá-las. Achou várias, não é? Agora veja quantas um judeu se sentiria à vontade entoando. São muitas, não é verdade? Continue com os espíritas kardecistas. Se o eixo das musicas é uma ode à Divindade (Deus, Pai, Senhor, Javé) e a recepção de bênçãos para quem canta, há muito de teísmo, de unitarismo, e os seguidores daquelas religiões não-cristãs não veriam problemas em seu canto, na realidade pan-religioso, mas que transmite muita “energia”, “luz”, “paz”.

Continue com a lista na mão, e procure aqueles em que há a palavra Jesus. Agora pense em nossos “parentes distantes” religiosos, das seitas para-cristãs: Mórmones, Testemunhas de Jeová, os da Ciência Cristã, ou os sincréticos como os do Santo Daime. Eles ficariam à vontade cantando essas músicas de um “Cristo genérico”? Numa boa. Ou seja, como o negócio é alimentar o subjectivo com sentimentos positivos, promover catarse e, até, transe, não há conteúdo doutrinário, com os pilares conceituais do Cristianismo bíblico, apostólico, ortodoxo.

Por outro lado, aquelas músicas que falam de Jesus Cristo, cantadas nas igrejas protestantes, são adoptadas, tranquilamente, por católicos romanos ou orientais, porque nelas não há nada de especificamente reformado.

Se não há musicas específicas para o Calendário Cristão (Advento, Natal, Quaresma, etc.), fica difícil harmonizá-las com os temas dos sermões, exactamente porque elas se destinam ao sentir e não ao pensar.

A rejeição aos Hinos históricos não se dá porque eles têm melodias “antiquadas”, mas porque eles são teologia cantada, o que é uma chatice… Ninguém está a fim de reflectir, mas de curtir! Como uma igreja é a sua teologia, e é o que ela canta, estamos numa pior.

Mas, os pastores não estão nem aí, pois não querem contrariar a freguesia, nem atingir o que traz resultados. Enquanto isso, uma música recente, que fala em Zaqueu, era tocada em radiola de ficha no “Bar do Zé”, alternada com clássicos de Reginaldo Rossi, enquanto a malta prosseguia em seus exercícios lúdico-erótico-etílicos.

Canta meu povo!

 

Saramago tem razão!

 

 

Ainda não li Caim e por isso não falo de um livro que não conheço, mas vi e ouvi as declarações do autor: “O Deus da Bíblia não é de fiar: é vingativo e má pessoa.”

Saramago traçou dois objectivos ao lançar esta polémica: espetar mais um prego na crucificação da Igreja Católica e através da agressão suscitar o debate e vender a sua obra.

Saramago conseguiu juntar o útil ao agradável, mas houve uma variável que o consagrado Nobel da Literatura esqueceu.  O plano de Saramago não é perfeito e o escritor pode ter caído numa cilada de Deus.

A má pessoa imaginária que Saramago persegue e teima em negar preparou uma vingança ao escritor e usou o velho Nobel para lançar o debate, não sobre Caim mas sobre a Bíblia, e trazer novos leitores para o livro escrito por um Deus que o escritor diz ser vingativo.

Ao inaugurar a sua nova piscina literária baptizando-a de Caim, Saramago anunciou aos nadadores da literatura um oceano infinito chamado Bíblia. E ninguém vai querer um patinho de borracha ou uma bóia numa piscina com cloro quando pode pescar e mergulhar num oceano de águas profundas.

A mensagem de Saramago revelou que o escritor pode ser apenas o mensageiro para abrir as páginas de um livro esquecido.

A estranha luta de Saramago com um Deus que não existe não é uma demência intelectual.  É a revolta de um homem que desconhece que na sua procura por um divino que nunca descobriu foi encontrado por um Deus que o conhece e o ama profundamente.

Saramago é inteligente. Não perde tempo em conversas banais com o eurodeputado Mário David que apelou à sua renúncia da nacionalidade portuguesa. Não tem medo de afrontar a religião maioritária e de afirmar que já não há fogueiras para queimar os hereges. Mas quando fala de Deus e da Bíblia o verniz estala. Inquieta-se. Revolta-se. Sente-se perturbado. Quer vingança!

Ninguém inteligente luta com a fantasia alheia. Fazer um campanha contra alguém que não existe é uma perda de tempo e Saramago sabe que o tempo que lhe resta é pouco para ser esbanjado em palermices de religiosos.

Saramago tem razão! Mas não tem fé! E a razão sem fé é como a justiça cega.

O que inquieta Saramago é a sua lógica contraditória. Como é que um Deus que só existe na cabeça das pessoas as influencia tanto?

“A neve não existe pois nunca a vi nem tive dela qualquer sinal”,  é assim que se expressa a lógica de um ateu tropical pouco viajado. Mas Saramago tem viajado pelas Escrituras e já viu neve, mas tem medo de lhe tocar e de ser tocado.

Só falta mesmo olhar para cima e ver a luz do Deus que lhe brilha no seu pensamento.

A estratégia fracassada de Saramago transformou-o no maior publicitário português da Bíblia. Mesmo que Deus não exista ele conseguiu fazer o que muitos pregadores tentaram mas raramente conseguiram, trazer os desiludidos com a religião de volta às Escrituras.

Obrigado Saramago!

João Pedro Martins

 

Evangélicos Quo Vadis ?

 

Será que vamos continuar a lidar com as consequências em vez de tentar solucionar as causas do problema?

 

O Evangelho não é propriedade dos evangélicos nem se restringe a uma confissão religiosa. É a mensagem de Deus que proclama o Senhorio de Cristo sobre todos os homens e mulheres, governos, poderes e potestades, incluindo as ideologias e os sistemas políticos do mundo onde vivemos e as forças espirituais que estão ocultas ao olho comum.

 

Partindo deste conceito percebemos que o Homem do Evangelho está no templo e na sociedade. Precisa de ser a mesma pessoa que canta e chora em qualquer lugar, que trabalha com dedicação no emprego e que muda com alegria as fraldas do filho que não o deixa dormir.

 

Durante décadas aprendemos a separar o sagrado do profano e criámos uma religião de duas caras, cheia de vitalidade ao Domingo e amedrontada durante a semana. Tentámos mudar a igreja enquanto nos conformámos com o mundo.

 

Permitimos que a teologia fosse influenciada e moldada pelas preferências económicas dos nossos contemporâneos materialistas, e não pelos valores das Escrituras. O resultado é desastroso. Um igreja numerosa, mas vazia de conteúdo. Criámos uma enorme geração de cristãos de aviário. Basta abrir a porta da capoeira do templo e logo o fogo do louvor depressa é trocado pelo calor do apelo consumista dos profetas da publicidade que nos criaram falsas necessidades.

 

Os líderes seguiram o caminho mais fácil, sempre que havia uma confusão nascia uma nova denominação. Eliminámos a reflexão teológica e o contraditório. Construímos uma manta de retalhos religiosos onde todos se sentem bem e se algum estiver descontente há sempre espaço para abrir uma nova igreja. Domesticámos e prendemos a Palavra dentro da gaiola da congregação. Entretemo-nos com programas religiosos, retiros espirituais, doutrinas escatológicas e orientação sexual dos crentes e esquecemos a justiça social, a participação cívica activa e responsável e o envolvimento nas questões globais como os direitos humanos, a pobreza e a fome, as doenças deste século, as alterações climáticas, a consciência ética da vida e a urgência na resolução dos conflitos militares. Onde está a voz profética e vanguardista nos grandes temas nacionais e globais? Será que os deputados da nação sabem que a Bíblia tem um modelo para reduzir o fosso entre ricos e pobres, com o retorno das terras aos proprietários, com a libertação dos escravos, com o dízimo, com as regras das colheitas, com os empréstimos sem juros e o perdão das dívidas e uma cartilha de princípios para protecção dos direitos dos órfãos, das viúvas, dos pobres e dos estrangeiros? Será que eles sabem que Deus nos exorta a amar e a orar pelas autoridades?

 

Como é que estamos a hierarquizar os valores e a encarar a chamada missionária? Votar num partido que defende a causa gay é um pecado maior do que votar numa força política que sustenta os interesses dos poderosos e a exploração dos mais fracos? Comprar acções ou produtos de uma empresa que não respeita o meio-ambiente é mais espiritual do que praticar adultério? Ficar no templo no dia de eleições torna-nos mais santos do que votar num partido liderado por não-crentes que vai determinar as leis do país? Ir morar para um condomínio fechado para proteger os nossos filhos é mais sábio do que ser os ouvidos e os olhos daqueles que vivem na miséria e sem Deus nos bairros sociais? O poder de Deus e as bênçãos são maiores quando a Segurança Social ou a Câmara Municipal nos atribuem um subsídio ou um terreno para construir um lar ou um templo do que quando esses fundos públicos são canalizados para o sistema de educação e de saúde?

 

Precisamos de nos converter do materialismo, do ritualismo, do conformismo e do liberalismo e redescobrir o Evangelho. A Igreja não pode ser um supermercado de bênçãos nem uma taberna religiosa, tem de ser um espaço onde o Espírito Santo tenha liberdade para fazer revoluções na vida dos indivíduos e da comunidade.

 

Há duzentos anos, quando os primeiros missionários ingleses chegaram a Portugal, o Evangelho transformou a sociedade porque essas pessoas preocuparam-se com as necessidades do povo e construíram hospitais para tratar os doentes pobres, abriram escolas privadas para ensinar as crianças que não tinham acesso à educação pública, edificaram balneários para as famílias que não possuíam casa de banho em casa e, nessa época, grupos de mulheres percorriam as ruas das cidades para ajudar as prostitutas a mudar de vida. Não faziam isto para ganhar prosélitos, mas porque amavam o povo (de Deus e do mundo), esta revolução pacífica trouxe perseguição e milhares de novos e genuínos convertidos aos templos. As pessoas, dentro e fora da Igreja, sabiam o que era o Evangelho.

 

Hoje influenciamos perto de 500 mil pessoas, mas não temos uma voz no Parlamento, um Presidente de Câmara, um teólogo ou um escritor consagrado, nem um trabalho social relevante e em rede que cubra o território nacional. Há cem anos, a União Cristã da Mocidade (UCM), com muito menos pessoas, exercia uma maior influência política e social porque os líderes eram humildes e davam o exemplo através de uma vida simples e temente a Deus.

 

Ronald Sider conta-nos uma história intrigante no seu livro “Cristãos Ricos em Tempo de Fome”. Um grupo de cristãos devotos vivia numa pequena vila perto de uma montanha. Uma estrada estreita e cheia de curvas era o único caminho para se atravessar a montanha. Todos os anos dezenas de pessoas eram vítimas de acidentes de viação. Um dia as três igrejas daquela localidade juntaram-se e decidiram comprar uma ambulância para ajudar a transportar os feridos para o Hospital. Todos os dias havia voluntários das igrejas que sacrificavam parte do seu tempo para que a ambulância estivesse sempre preparada para responder a qualquer emergência. Muitas vidas foram salvas. Até que um dia, um jovem engenheiro visitou aquele lugar e perguntou a um dos voluntários porque não pediam ao Presidente da Câmara para construir um túnel que atravessasse a montanha e tornasse o percurso mais seguro. As igrejas reuniram-se e chegaram à conclusão de que a estrada existia antes das igrejas, que o Presidente da Câmara (que era presbítero de uma das igrejas) tinha um restaurante e um posto de combustível no meio da montanha e o novo percurso implicava um prejuízo para o negócio e finalmente entenderam que a missão das igrejas era proclamar a salvação e realizar o trabalho social, sem se envolverem na política.

 

Preferimos cuidar das ambulâncias do templo do que pagar o preço para alterar as estruturas de injustiça. Será que vamos continuar a lidar com as consequências em vez de tentar solucionar as causas do problema?

 

Sabemos que vivemos numa sociedade pós-cristã e que a estrada fora do templo é estreita e tem dois sentidos, os que vêm atrás são sempre menos do que aqueles com quem nos cruzamos no caminho.

 

A próxima geração de cristãos vai olhar para trás e dizer se nós fomos os santos que proclamaram o Evangelho ou se não passámos de meros sepulcros caiados, odres podres e copos apenas lavados por fora.

 

O tempo trará a resposta.

 

 

 

João Pedro Martins, sociólogo e coordenador do Projecto Miqueias

 

 

 

 


Cristo Genérico: Milhões matariam por ele.

Jesus Autêntico: Milhões morreriam por Ele.

 

Cristo Genérico: Os fins justificam os meios.

Jesus Autêntico: Decreta os fins e estabelece os meios.

 

Cristo Genérico: A auto-estima acima de tudo.

Jesus Autêntico: O Amor acima de tudo.

 

Cristo Genérico: Os interesses pessoais como prioridade.

Jesus Autêntico: O Reino de Deus e a Sua Justiça.

 

Cristo Genérico: Multiplicar para concentrar recursos.

Jesus Autêntico: Compartilhar para espalhar recursos.

 

O Cristo Genérico é encontrado nas prateleiras dos mercados da fé.

O Jesus Autêntico é encontrado em nosso semelhante, principalmente nos marginalizados, nos excluídos, nos famintos.

 

O Cristo Genérico é um aliado dos poderes constituídos

Jesus Autêntico Se solidariza com os oprimidos

 

O Cristo Genérico está disponível nas catedrais da fé.

O Jesus Autêntico não se acomoda na suntuosidade dos templos.

 

O Cristo Genérico oferece milagres à granel

O Jesus Autêntico faz da vida um milagre.

 

O Cristo Genérico pede seu tudo, sem ter nada a oferecer

O Jesus Autêntico oferece tudo, sem nada lhe pedir

 

O Cristo Genérico busca ser bajulado.

O Jesus Autêntico é honrado quando colocamos em prática o que Ele ensinou.

 

O Cristo Genérico se contenta com mãos erguidas aos céus.

O Jesus Autêntico procura por mãos estendidas ao próximo.

Fonte: Hermes Fernandes

 

 

Ah! Se eu tivesse a mente de Cristo...

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ não chorava só por Jerusalém, Gaza e Israel. Choraria sobre as favelas e bairros de lata onde o tráfico de drogas mata muito mais do que o conflito Israel-Palestiniano.


Se eu tivesse a mente de Cristo ─ não discutia sobre teologia e religiões. Antes diria que a verdadeira religião pura e imaculada para com nosso Deus seria: visitar os órfãos e viúvas nas suas aflições, e guardar-se isento da corrupção do mundo.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ as minhas vestimentas de obreiro seriam idênticas à da maioria das pessoas que estão ao meu redor.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ toda vez que fosse orar a Deus, eu me trancava secretamente num quarto, sem ter ninguém por perto.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu não amaria os primeiros lugares nas ceias, nem as primeiras cadeiras nos templos.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ não me importaria de ser chamado beberrão e comilão ao sentar à mesa com os pecadores.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu defendia os meus discípulos do veneno dos escribas e doutores da Lei.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu ficava do lado das prostitutas, a fazer calar os seus acusadores.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu chamava de raposa, certos Herodes de hoje; assim como denominava de sepulcros caiados a maioria dos que estão sentados na cadeira de Moisés.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu chamava quem me traísse, de amigo.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu me surpreendia com a fé dos que não são nossos.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu diria que a condenação eterna seria rejeitá-Lo, e diria que vida eterna era reconhecê-Lo como Filho de Deus.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu não andava ansioso, nem procurando sinais do fim do mundo.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu não procurava os bens terrenos, onde a traça come e o ferrugem corrói.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu diria para os que se preocupam com o vestuário: “olhai para os lírios do campo. Nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como eles”.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu diria para os fariseus de hoje: “vocês estão fechando o Reino dos Céus; nem entram, nem deixam entrar os que estão querendo”.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu denunciava os que estão fazendo da igreja covil de ladrões.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ eu deixava as minhas empresas para seguí-Lo, como fez o empresário da pesca Simão Pedro.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ não estava a profanar o lugar sagrado (púlpito) com “shows”, espetáculos, e outros estimulantes de êxtases carnais coletivos.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ não diria vim para mandar. Diria vim para ser servo.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ não colocava fardos pesados sobre as ovelhas, que nem eu mesmo com a mão consigo movê-lo.

Se eu tivesse a mente de Cristo ─ tudo que falei até agora, ficava gravado no meu coração e num quadro bem visível na parede interna dos templos.

***

Fonte:
Levi Bronzeado dos Santos

 

G8: oportunidade perdida ou esperança num futuro melhor?

20.07.2009, João Pedro Martins, in Público

Os países doadores deveriam ir mais longe e aumentar a ajuda anual até 30.000 milhões de dólares

Acimeira do G8 talvez seja uma oportunidade perdida para as comunidades pobres. A reunião de L'Aquila tinha todas as condições para que os países mais ricos pudessem assumir um importante compromisso para resolver o problema da pobreza mundial e que traduzisse o impulso do acordo conseguido no final de 2008 em Copenhaga. Apesar de ficar longe das expectativas inicialmente previstas, o encontro do G8 trouxe sinais de esperança para o futuro, com pequenos passos que foram dados para selar acordos determinantes em matérias sensíveis como as alterações climáticas e a segurança alimentar. As anteriores promessas relativamente aos níveis de ajuda e às metas na saúde voltaram a estar em cima da mesa das negociações, mas desta vez sem a urgência que era requerida e sem um plano mensurável para a sua concretização. O G8 sofre de uma doença anacrónica porque países observadores como a China e a Índia têm um peso no cenário internacional muito superior a alguns dos actuais membros como Itália ou Canadá. A próxima cimeira do G8 será determinante para os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Em 2010 assinala-se dez anos após a celebração do Jubileu de 2000, cinco anos depois do movimento da sociedade civil Make Poverty History e apenas cinco anos para se alcançar as metas do Milénio e reduzir para metade a pobreza extrema. Das conclusões da reunião do G8 destacam-se cinco áreas de vital importância para a melhoria do nível de vida das populações que se encontram no fosso da pobreza extrema.

Alterações Climáticas. Na sequência das negociações de Copenhaga, os líderes do G8 comprometeram-se a manter o aumento da temperatura abaixo dos 2 graus. Para isso é necessário reduzir as emissões de carbono em mais de 80% dos níveis actuais até 2050, de forma a alcançar os valores registados em 1990. A aceitação destas metas pela Administração Obama representa uma significativa viragem na política ambiental norte-americana que nunca ratificou o Protocolo de Quioto. No entanto faltou vontade política para definir metas intermédias que garantam uma monitorização do processo e uma convergência com os Objectivos do Milénio. Não houve acordo quanto ao financiamento para aumentar a Ajuda Pública ao Desenvolvimento num pacote autónomo aos 0,7% do Rendimento Nacional Bruto consignado na Declaração do Milénio e que permita aos países em desenvolvimento a adopção de políticas sustentáveis para reduzir as emissões de carbono. Paralelamente à cimeira do G8, o discurso de Obama no Fórum Económico constitui um forte apelo aos Ministros das Finanças para que voltem à mesa das negociações durante o encontro do G20 em Setembro e tragam propostas concretas para ajudar os países pobres na resposta às alterações climáticas. Estudos independentes mostram que nos últimos dez anos os desastres naturais causados pelo aquecimento global do planeta provocaram mais de 500.000 mortes e afectaram a vida de 2.500 milhões de pessoas, implicando um custo estimado de mais de 450.000 milhões de euros em perdas económicas.

Água e Saneamento. Os líderes do G8 tinham sido desafiados a construir um quadro global de acção para inverter a actual crise relativa à falta de água e saneamento que assola as populações em África e que se traduz num rácio de uma em cada oito pessoas que não tem acesso a água potável e mais de 2.500 milhões de seres humanos que estão privados de uma casa de banho e de saneamento básico. Apesar do forte compromisso em matérias relacionadas com a saúde, os líderes do G8 foram incapazes de reconhecer que a diarreia é o segundo factor causador da mortalidade infantil até aos cinco anos e que a água e o saneamento são condições determinantes para cumprir as metas em termos de saúde materna e infantil e em outras questões periféricas como a educação e as migrações forçadas que afectam as populações mais pobres e vulneráveis do planeta. As conclusões da cimeira resumiram-se a vagas intenções.

Governação e Corrupção. O apelo para a ratificação da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção (UNCAC) constitui um dos pontos altos da cimeira, mas enquanto a Itália, Alemanha e Japão não ratificarem o acordo, a mensagem transmitida aos países emergentes é "façam o que dizemos, mas não o que fazemos". A UNCAC constitui uma das poucas ferramentas globais que obriga os Estados-membros da ONU a combater a corrupção. Sem a ratificação do documento é impossível uma acção concertada para reduzir os paraísos fiscais e detectar branqueamento de capitais na origem. Os G8 apelaram à implementação de um mecanismo mais eficaz e transparente que permita a revisão da Convenção e a converta numa verdadeira task force global. Neste processo de prestação de contas, torna-se vital a participação da sociedade civil e de organismos independentes e tecnicamente credíveis para monitorizar a corrupção nos diferentes países, invertendo a actual realidade de políticas ineficazes e leis fragmentadas de combate ao tráfico de droga e ao crime organizado em cada contexto nacional.

Segurança Alimentar. O novo compromisso para mobilizar 20.000 milhões de dólares nos próximos três anos constitui o ponto mais alto das conclusões da cimeira do G8. Apesar da grandeza dos montantes envolvidos, os doadores deveriam ir mais longe e aumentar a ajuda anual até 30.000 milhões de dólares, de forma a permitir que os pequenos agricultores dos países em desenvolvimento possam produzir ou comprar bens alimentares suficientemente nutritivos e resistir aos períodos de seca, inundações ou flutuação dos preços dos alimentos. Os doadores deverão assegurar a reforma de algumas instituições, garantindo que a ajuda internacional seja permanentemente monitorizada e aplicada através de políticas locais sustentadas que envolvam a boa gestão dos recursos hídricos, energia e infra-estruturas, como complemento de medidas que abrangem a protecção social, a agricultura, a nutrição, a redução do risco de desastre e a adaptação às mudanças do clima. Actualmente uma em cada seis pessoas é vítima da fome ou da subnutrição.

VIH/SIDA. As novas promessas de acesso universal à prevenção e tratamento do VIH/SIDA, malária e tuberculose deveriam ser consubstanciadas com um plano de acção que incluísse uma grelha detalhada de distribuição da ajuda e a introdução de políticas inovadoras que permitissem o reforço dos sistemas de saúde e novas formas de combate às doenças endémicas, através da investigação científica, educação e outras medidas estruturais.
Um mundo sem pobreza extrema pode continuar a ser uma utopia, mas enquanto for possível tentar temos a certeza de que o mundo será sempre melhor. 

* João Pedro Martins é economista e coordenador nacional do Desafio MIQUEIAS (rede cristã internacional de luta contra a pobreza)

 

 

 

 

"Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projecto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma." Eclesiastes 9:10

Já disseram que os cemitérios são os lugares mais ricos de toda a terra.

Ali, jazem as peças de teatro, os livros, as produções musicais, os CDs que jamais saíram do papel. Ou da cabeça de artistas talentosos, cuja fama, só Deus conheceu. E com eles contendeu, dando-lhes sonhos nas madrugadas, a falar-lhes nas vigilias da noite e pelos caminhos dessa experiência (curta e única) chamada vida.

Talvez, ficaram essas obras todas, à espera da crítica positiva, dos incentivos, dos elogios que nunca chegaram á vir à luz porque nunca houve quem as trouxessem à vida. Ou ainda, talvez, nem chegaram a nascer pois os seus pais (ou mães) ficaram à espera de melhores dias, de ventos favoráveis ou seja lá o que possa os ter feito crer que "filhos podem nascer sem trabalho ou dor".

Pois bem, a juntar-se a uns poucos malucos (e carolas), a Transmundial de Portugal, que há muito vem, na calada dos bastidores a investir no talento cristão nacional, mesmo com os poucos recursos de que dispõe, vimos nascer duas obras dignas de serem ouvidas, mesmo com a simplicidade das produções. Pode ser que se critique a falta de pós-produção e de mais recursos. Ou até questionarmos se são eles dignos ou não de algum Grammy. Mas numa coisa podemos concordar: corajosos eles foram. E também fiéis ao que Deus lhes deu.

Ah! E no tocante a mim, pode-se admirar a qualidade de gente que ama Deus e tem o que dizer com brilhantismo. O trabalho final está muito bom. E pode-se ver a qualidade dos músicos e poetas nas letras.

Estamos a falar do trabalho dos Fundação (Marcos Lima, Filipe Maia, Ismael Luzia, Juan Vallejos, António Mascarenhas e Sérgio Rodrigues), gravado nos nossos studios e doAmil (www.myspace.com/atalaiahastro ) com os seus CDs recém lançados e já na programação da RTM.

Orgulhámo-nos também de termos apoiado os RDC (que gravaram dois temas, ao vivo no programa GSL, nos nossos studios), os Manifest e o Puzzle, trabalho brilhante, com o dedo mágico de Ruben Alves e da Editora Escutar.

 

 

Site diz que Lucas Souza Banda

 

é o futuro da música gospel!

 

por Renato Cavallera para os sites dotGospel e Super Gospel

     

   Hoje é muito difícil escrever uma resenha de um álbum gospel, isso acontece devido a dificuldade para achar algo nele diferente de qualquer outro álbum dentro do segmento, independentemente se ele foi lançado antes ou depois do mesmo, o mercado estatizou-se em um único estilo e esse estilo se auto saturou.

    Devido a essa certa “banalização” do meio gospel é raro achar algo diferente e que valha um comentário, é muita “chuva”, é muito “paizinho”, é muito “me abençoa” e pouco conteúdo, por isso que creio que quando se grava algo bom de verdade, esse deve ser comemorado e consequentemente elogiado para que continue fazendo um som bom de verdade, uma adoração em verdade e um louvor com verdade. Esse é o caso de “Cidade do Amor”, o novo álbum de Lucas Souza Banda.

    Iniciada em 2002, Lucas Souza Banda lança seu quarto álbum sob muita expectativa, numa clara evolução de som, letras e arranjos desde o primeiro álbum (”Capturado”, lançado em 2004), impressiona a qualquer um. Em 2006 Lucas Souza foi considerado como a “salvação da música gospel” com seu álbum “Caminho de Revolução”, lançado um ano antes e que até hoje é considerado um passo a frente na música gospel brasileira, devido aos arranjos e letras com grande influência de famosos grupos de louvor internacionais, como Hillsong United e Delirious? (este último teve duas músicas regravadas com versões em português no álbum). Em 2007 a Lucas Souza Banda decidiu dar uma pausa nos trabalhos inéditos e fazer um pequeno álbum de apenas sete músicas, sendo uma inédita e seis regravações de clássicos a música cristã mundial, nascia do álbum “Doxologia”. Este EP, gravado ao vivo, foi vendido por apenas R$5 (cerca de 1,8 euros) e fabricado em SMD, destaque para Vós Criaturas de Deus Pai e Adoração (Doxologia) que foram os singles do álbum.

    “Cidade do Amor”, ao meu ver, conseguiu fazer algo que eu mesmo não acreditava que a Lucas Souza Banda faria: amadurecer ainda mais o seu som em relação a seu último álbum de inéditas, “Caminho de Revolução”. São letras cada vez mais poéticas e profundas, arranjos muito mais coesos e um experimentalismo com elementos eletrónicos que deu um tom totalmente diferente a qualquer outro trabalho gospel que se tenha visto no Brasil. Comparo este trabalho a  “World Service” do Delirious? onde não se tinha esperanças que a banda evoluisse mais, foi então que ela lançou este que é considerado por muitos, como o melhor álbum da carreira do Delirious?.

 

Você pode ler o restante da resenha do novo álbum de Lucas Souza Banda, Cidade do Amor, no site dotGospel.com.

Site Oficial do cantor/banda: www.myspace.com/lucassouza


O Som (e a postura) que vem do Céu!

 As inquietações e afirmações de fé dos músicos e líderes cristãos do outro lado do Atlântico. Será que podíamos nós assinarmos embaixo?

Nós, músicos, artistas e líderes eclesiásticos, cristãos, vindos de várias regiões brasileiras, estivemos reunidos entre os dias 6 e 12 de abril de 2009, no Acampamento da Mocidade Para Cristo do Brasil, dias de comemoração dos 25 anos do Som do Céu* , para discutir dois temas principais: “A Música e os Músicos na Igreja” e “A Igreja como Promotora de Cultura”. Agradecemos a Deus pelos dias de comunhão fraterna entre nós e pelo privilégio de ouvi-lo entre as vozes pastorais e proféticas que ecoaram no nosso meio. Reconhecemos que a música cristã tem ocupado um espaço significativo nos nossos dias, tanto na igreja como na sociedade em geral. No entanto, observamos que nem sempre essa participação tem sido coerente com a Palavra de Deus - o nosso referencial maior - nem rendido glórias ao Senhor da Igreja. Desejamos, portanto, apresentar à Igreja brasileira a Carta do Som do Céu, sintetizada em 25 pontos, que resume as nossas inquietações e propõe ações práticas à Igreja de Cristo Jesus, neste início de século 21.

  1. O artista cristão deve desenvolver o seu dom criativo e submetê-lo exclusivamente aos valores da Palavra de Deus;

2. Cremos que a arte, na perspectiva da graça comum, é um presente dos céus a toda a humanidade e não está restrita aos cristãos;

3. Desejamos que haja coerência entre a vida, o ministério e a profissão do artista cristão, cujo discurso deve estar aliado à sua prática;

4. Esperamos que o artista cristão busque servir a Deus e à sociedade com excelência e integridade, dedicando-se ao desenvolvimento dos talentos e dos dons recebidos do alto;

5. A igreja precisa estar atenta ao artista cristão como parte do rebanho de Deus e dar a ele a atenção devida, despida de preconceitos, e oferecer-lhe pastoreio e discipulado, objectivando a sua formação espiritual e ética;

6. Esperamos que o artista cristão esteja envolvido numa igreja local, servindo-a e amando-a como o Corpo de Cristo. Deve ser rejeitada a tentativa de desenvolvimento de uma fé individualista e distante da comunidade;

7. Reafirmamos que a elaboração de textos e letras deve ter embasamento nos valores da Palavra de Deus;

8. Comprometemo-nos a dedicar a atenção e a reflexão às canções que são introduzidas no culto de adoração e nas demais actividades da igreja, buscando um repertório equilibrado e consciente e evitando, de todas as formas, que heresias e desvios teológicos adentrem subtilmente nas nossas comunidades;

9. As igrejas, as instituições de ensino teológico e os artistas cristãos devem combater o ensinamento equivocado e amplamente difundido de que o louvor e a adoração restringem-se à musica, a ensinar, por demonstração e exemplo, que se trata de um estilo de vida que envolve todas as áreas da nossa existência e que a música, assim como outras formas de arte, é expressão legítima de louvor e adoração;

10. A igreja deve agir como facilitadora na adoração e abrir espaço para que todos expressem o seu louvor a Deus;

11. Esperamos que o músico cristão busque e desenvolva a santidade, vivendo uma vida piedosa, tanto no serviço prestado a Deus na igreja, quanto fora dela, em sua actividade profissional;

12. Rejeitamos a dicotomia que faz separação entre o sagrado e o secular e cria espaços estanques na vida do cristão. O Senhor Jesus é soberano e governa todas as instâncias da vida, e, por isso, devemos somente a ele a nossa fidelidade, agradando-o em tudo e rejeitando tão-somente o que ofende a Sua glória;

13. A Igreja não se pode esquivar da sua responsabilidade diante da cultura na qual está inserida; deve mentorear a reflexão e a prática de uma teologia de arte e cultura;

14. Incentivamos as igrejas a abrir as suas dependências para a realização de eventos culturais, como exposições, mostras, cursos, saraus e outras actividades a visar à educação, à divulgação e à aproximação da sociedade;

15. Mesmo entendendo que todo o trabalho na igreja é voluntário, podemos honrar com sustento ou remuneração aqueles que se dedicam ao ministério musical, se a comunidade disponibiliza recursos para tal;

16. Entendemos que a nossa arte deve encarnar uma voz profética e manifestar no seu conteúdo os valores do reino;

17. Recomendamos que as igrejas promovam encontros de reflexão sobre a utilização das artes no reino de Deus, a capacitar os artistas para a realização do seu trabalho;

18. Incentivamos os músicos a expressar em sua arte a beleza de Deus por meio de uma contextualização e diversidade musical;

19. Reconhecemos o caráter essencialmente transformador e questionador da nossa arte e não cremos que ela deva estar a serviço do mercado;

20. Embora os artistas cristãos não se devam render aos senhores dos media, tornando-se reféns desta, podem utilizar de maneira ética os meios de comunicação como canal para a divulgação da sua arte, a proclamar, assim, o Reino de Deus;

21. No que se refere ao relacionamento entre os músicos e a liderança eclesiástica, encorajamos o diálogo, o respeito e o reconhecimento mútuo dos seus ministérios como algo dado por Deus;

22. Incentivamos que os artistas cristãos busquem perante o Estado e a iniciativa privada recursos para a promoção da sua arte por meio de leis de incentivo à cultura, editais para financiamento de projectos culturais etc.

23. Encorajamos as igrejas a investirem na educação e na formação de artistas;

24. Propomos que as igrejas e as instituições de ensino teológico incentivem as diversas manifestações artísticas e não somente a área musical;

25. Compreendemos que o ofício de artista é legítimo como tantos outros, podendo ser exercido pelo artista cristão no mercado de trabalho e devendo ser apoiado e incentivado pelas comunidades cristãs.

 

São Sebastião das Águas Claras, 9 de abril de 2009.

Aristeu Pires, Carlinhos Veiga, Denise Bahiense, Erlon Lemos, Gladir Cabral, João Alexandre, Jorge Camargo, Jorge Redher, Marcos André, Marlene Vasques, Nelson Bomilcar, Paulo César, Romero Fonseca, Rubão, Sérgio Pereira e Wesley Vasques.

*Realizado há mais de 20 anos no Acampamento MPC em Belo Horizonte-MG, o Som do Céu tem marcado a história da música cristã no Brasil. Com a participação de, em média, 500 pessoas, esse encontro é reconhecido não só por músicos e artistas de qualidade, mas também pelo ambiente distinto caracterizado também pela lona de circo onde são realizados os shows.

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